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O estanho na cassiterita e seu uso na Idade do Bronze


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Vou tomar a liberdade de deixar aqui uma tradução de um trecho em inglês de um artigo na Wikipédia; era exatamente esta história que tinha em mente ao trazer o mineral cassiterita em destaque por aqui.

OBS: Lembrando que o bronze é uma liga de cobre com estanho (12%) e outros metais em quantidades menores (zinco, níquel, alumínio ou manganês)

“A extração e o uso do estanho podem ser datados no início da Idade do Bronze em torno de 3000 aC, durante os quais os objetos de cobre formados a partir de minérios polimetálicos possuíam propriedades físicas diferentes (Cierny & Weisgerber 2003, p.23). Os primeiros objetos de bronze tinham conteúdo de estanho ou arsênio inferior a 2% e, portanto, são considerados como resultado de liga não intencional devido ao conteúdo de traço de metal em minérios de cobre, como a tennantita, que contém arsênio (Penhallurick, 1986, p.4). A adição de um segundo metal ao cobre aumenta sua dureza, diminui a temperatura de fusão e melhora o processo de fundição, produzindo uma camada mais fluida que esfria para um metal mais denso e menos esponjoso (Penhallurick 1986, pp. 4-5). Esta foi uma inovação importante que permitiu moldar formas muito mais complexas em moldes fechados na Idade do Bronze. Os objetos de bronze arsenical apareceram primeiro no Oriente Médio, onde o arsênico é comumente encontrado em associação com o minério de cobre, mas os riscos para a saúde foram rapidamente percebidos e a busca por fontes dos minerais de estanho, muito menos perigosos, começaram no início da Idade do Bronze (Charles 1979, p . 30). Isso criou a demanda do raro estanho e formou uma rede comercial que ligava as fontes distantes de estanho aos mercados das culturas da Idade do Bronze.

Cassiterita (SnO2), estanho oxidado, provavelmente foi a fonte original de estanho na antiguidade. Outras formas de minérios de estanho são os sulfetos menos abundantes, como a estanita que requerem um processo de fundição mais complicado. A cassiterita, muitas vezes, se acumula em canais aluviais como depósitos de placer devido ao fato de ser mais resistente, pesada e mais quimicamente resistente do que o granito em que tipicamente se forma (Penhallurick, 1986). Esses depósitos podem ser facilmente vistos nas margens dos rios, porque a cassiterita geralmente é preto ou roxo ou de outra forma escura, uma característica explorada pelos garimpeiros da Idade do Bronze. É provável que os primeiros depósitos fossem aluviais e talvez fossem explorados pelos mesmos métodos utilizados para extração (panning) de ouro nos depósitos de placer.

A importância do estanho para o sucesso das culturas da Idade do Bronze e a escassez do recurso oferece um vislumbre das interações comerciais e culturais desse período e, portanto, tem sido o foco de intensos estudos arqueológicos. No entanto, uma série de problemas atormentaram o estudo do estanho antigo, como os resquícios arqueológicos limitados da mineração de pláceres, a destruição de minas antigas por modernas operações de mineração e a pouca preservação de objetos de estanho puro devido à doença de estanho ou à praga de estanho. Esses problemas são agravados pela dificuldade em rastrear objetos e minerais de estanho em seus depósitos geológicos usando análises isotópicas ou de oligoelementos. O atual debate arqueológico diz respeito às origens do estanho nas primeiras culturas da Idade do Bronze do Oriente Próximo. (Penhallurick 1986; Cierny & Weisgerber 2003; Dayton 1971; Giumlia-Mair 2003; Muhly 1979; Muhly, 1985).

Mapa com antigas fontes de estanho (clique para ampliar).

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Fontes citadas no texto:
– Cierny, J.; Weisgerber, G. (2003), “The “Bronze Age tin mines in Central Asia”, in Giumlia-Mair, A.; Lo Schiavo, F., The Problem of Early Tin, Oxford: Archaeopress, pp. 23–31, ISBN 1-84171-564-6
– Penhallurick, R.D. (1986), Tin in Antiquity: its Mining and Trade Throughout the Ancient World with Particular Reference to Cornwall, London: The Institute of Metals, ISBN 0-904357-81-3
– Charles, J.A. (1979), “The development of the usage of tin and tin-bronze: some problems”, in Franklin, A.D.; Olin, J.S.; Wertime, T.A., The Search for Ancient Tin, Washington, D.C.: A seminar organized by Theodore A. Wertime and held at the Smithsonian Institution and the National Bureau of Standards, Washington, D.C. March 14–15, 1977, pp. 25–32
– Dayton, J.E. (1971), “The problem of tin in the ancient world”, World Archaeology, 3 (1), pp. 49–70
– Giumlia-Mair, A. (2003), “Iron Age tin in the Oriental Alps”, in Giumlia-Mair, A.; Lo Schiavo, F., The Problem of Early Tin, Oxford: Archaeopress, pp. 93–108, ISBN 1-84171-564-6
– Muhly, J.D. (1979), “The evidence for sources of and trade in Bronze Age tin”, in Franklin, A.D.; Olin, J.S.; Wertime, T.A., The Search for Ancient Tin, Washington, D.C.: A seminar organized by Theodore A. Wertime and held at the Smithsonian Institution and the National Bureau of Standards, Washington D.C. March 14–15, 1977, pp. 43–48
– Muhly, J.D. (1985), “Sources of tin and the beginnings of bronze metallurgy”, Journal of American Archaeology, 89 (2), pp. 275–291

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